Publicada no dia 17/01/2012 - Taquari
Quando o professor pergunta, ele não está simplesmente querendo obter respostas que já conhece, pois incentivar o pensamento filosófico é querer que o educando reflita de maneira nova, considere métodos alternativos de pensar e agir. Dar possibilidade ao educando de construir seu conhecimento, fica muitas vezes prejudicado pela falta da capacidade de ouvir o aluno, assim não descobrindo suas dificuldades. O diálogo é um elemento fundamental da aprendizagem.
Estimular a pergunta, a reflexão crítica sobre a própria pergunta, o que se pretende com essa ou aquela pergunta, o fundamental é que professor e alunos saibam que a postura deles é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto falam ou enquanto ouvem.
Voltando ao Brasil, tomei a seguinte decisão – não dar mais do que 30 aulas semanais. As consequências foram múltiplas. Dava aulas pela manhã e à noite. As tardes ficavam reservadas para correções e leituras. As leituras, até hoje, são formas de poder dialogar com autores, porque a leitura exige cuidados. Como escreve o filósofo Arthur Schopenhauer, “muita leitura retira toda elasticidade da mente. Pegar um livro com o propósito de afugentar os próprios pensamentos é um pecado contra o Espírito do Santo. Ler é pensar com a cabeça de outrem em vez da própria. Pensar por si é esforçar-se para desenvolver um todo coerente”. Pensar por si é descobrir o aluno como fonte de trabalho. Há professor que usa o aluno como depósito de conhecimento, já o verdadeiro professorexplora o aluno como fonte de conhecimento.
A leitura, para quem reflete sobre o lido, para quem questiona argumentos, criando um novo texto - instiga, dá fôlego para o novo, o diferente. Um bom leitor lê, além do livro, jornal..., também aquilo que o circunda: a Natureza. O aluno precisa ler a Natureza da qual faz parte. O professor leitor lê também as dificuldades dos seus alunos. Estas dificuldades passam a ser desafios para o seu trabalho. Enquanto para o professor “formado”, estas dificuldades passam a ser motivos de críticas e justificativas para a reprovação.
Ao trabalhar 30 horas semanais, passei a me revelar pelo resultado dos meus alunos. Se antes eu aparecia pelas horas trabalhadas, passei a ser professor pela qualidade dos resultados – resultado do aluno.
Onde está o segredo da mudança, se há segredo: 1º) ter tempo; 2º) ser um eterno aprendiz, aprender com o aluno; 3º) ser um questionador/aluno deve procurar respostas; 4º) desacomodar o aluno, cabeça do aluno deve ser um laboratório de dúvidas, não fazer o que a maioria faz; 5º) descobrir o mundo humano do erro, “errar é humano”; 6º) a liberdade abre caminhos e torna o ser humano mais inteligente; 7º) todos, pais e professores, devem motivar os filhos a pensar por conta própria; 8º) desafiar para aprender a tomar decisões; 9º) habituar os alunos a formular por quês? 10º) não abandonar o aluno, quando abandonado, volta para a selva. A selva é a renúncia da inteligência.
Como disse Bernard Charlot, “ser professor hoje em dia é uma missão quase impossível. É preciso ter jogo de cintura para enfrentar as diversas contradições. O aluno vai à escola sem ter recebido uma socialização prévia. No passado, os pais preparavam os filhos para essa etapa da vida e os irmãos mais velhos ajudavam os mais novos. O professor espera encontrar em sala de aula um clone ideal dele mesmo, uma pessoa que ele gostaria de ser: crítico, reflexivo, leitor e dedicado, mas obediente. Como ser, ao mesmo tempo, obediente, crítico e inquieto com a realidade?”
Diretor Prof. Romério Gaspar Schrammel
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