Focados na Educação

Outro dia, Flávio José Kanter escreveu, em ZH, sobre o texto de Thomas Friedman “Que tal pais melhores?” Luiz Fernando Oderich, também em ZH, escreve sobre “Se a educação fosse prioridade...”. A educação será prioridade quando os pais a colocarem como prioridade. Como para a maioria dos pais não é, não é também para os políticos. A maioria dos pais está tão distante da realidade educacional que acabam por “escolher” uma escola para os filhos. O que conhecem da escola, muito pouco, quase nada. O “quase nada” resume-se a saber citar o nome de uma ou outra professora. Pesquisas mostram que quando há sucesso do filho na escola, deve-se 70% à família e apenas 30% à escola.Voltando ao texto de Thomas Friedman, cujo texto considero pertinente, não fere ninguém, pois os pais de hoje são frutos de investimentos de gestões políticas e de pais de tempos idos. Não há dúvida de que um grande professor é capaz de fazer uma diferença enorme para o desempenho de um estudante, e necessitamos recrutar, treinar e recompensar mais desses professores. Alguns novos estudos estão também demonstrando: nós precisamos de melhores pais. Pais mais focados na educação dos seus filhos podem também fazer uma enorme diferença no desempenho de um estudante.

A cada três anos, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico conduz exames como parte do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) que testam adolescentes de 15 anos de idade nas principais nações industrializadas, avaliando o seu nível de leitura e compreensão de textos e a sua capacidade de utilizar aquilo que aprenderam em matemática e ciências para resolver problemas reais – as habilidades mais importantes para que eles tenham sucesso na universidade e na vida.

Andreas Schleicher, supervisor dos exames, foi encorajado a olhar além das salas de aula. A equipe do PISA procurou pais de estudantes e lhes perguntou “como eles criaram os filhos e a seguir compararam as respostas com os resultados dos testes”. A equipe publicou as descobertas principais do seu estudo: “Os jovens de 15 anos de idade cujos pais frequentemente leram livros junto com eles durante o primeiro ano do primeiro grau apresentaram notas substancialmente mais elevadas do que aqueles estudantes cujos pais liam poucas vezes ou que nunca liam”.

Schleicher explicou que “o simples fato de perguntar ao filho como foi o dia dele na escola e demonstrar um interesse pelo aprendizado da criança é algo que pode ter o mesmo impacto de horas de aulas particulares. E isso é algo que todo pai pode fazer, independentemente do nível educacional ou da classe social”.

Alunos cujos pais disseram que liam um livro com o ‘filho todos os dias ou quase todos os dias' ou 'uma ou duas vezes por semana' durante o primeiro ano da escola primária apresentam notas nitidamente mais elevadas do que os estudantes cujos pais disseram que 'nunca ou quase nunca' leram um livro com o filho ou 'apenas uma ou duas vezes por mês'. Em média, a diferença de nota é de 25 pontos, o equivalente a bem mais de meio ano escolar.

Melhores pais podem tornar todo professor mais eficiente. Acompanhando a luta do magistério por melhores salários, melhor ambiente de trabalho, - não se ouve igual clamor por parte dos pais. Por quê? Estes parece não ter nada a ver com o problema. Escola é ambiente onde se constrói conhecimento – isso é árduo, não é espaço para cuidar de filhos. Muitos pais não vão à escola porque pensam saber pouco. Ao perguntar-lhes sobre a importância da escola para seus filhos, a resposta da maioria é algo como, “sem estudo não faz se nada”.  Pais, frequentem a escola como seus filhos! Escola é um espaço para a troca de saberes. Pais que se excluem, excluem também os filhos e acabam por excluir o município, o Estado e o País.

(Veja fotos na Galeria)

Diretor Prof. Romério Gaspar Schrammel

schrammel@dohms.org.br

 



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